Cristiano Ikari abriu o 2º dia com reflexão sobre a hiperconectividade, saúde mental e comunicação
Nesta sexta-feira (18) em Aracaju, o segundo dia do 14º ENESCAP teve início com a palestra “O Impacto da Digitalização na Comunicação”, ministrada por Cristiano Ikari, CEO da Iungo. Com uma provocação inicial: o excesso de tecnologia traz mesmo tantos benefícios assim?, o palestrante conduziu a plateia por uma análise crítica de como a hiperconectividade tem transformado a forma como as pessoas e as empresas se comunicam.



Hiperconectividade, isolamento e saúde mental
Ikari relacionou a hiperconectividade a quadros de burnout e sentimento de solidão, ainda que paradoxalmente em um cenário de conexão permanente. “A gente anda cada vez mais isolado, saindo menos, com menos amigos”, observou. Segundo o palestrante, a saúde mental se tornou uma questão global, dado reforçado, segundo ele, por levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Como caminho para enfrentar esse cenário, apontou três pilares: exercício físico, acompanhamento psicológico e saúde social.
Para Ikari, o que deveria ser uma ferramenta a serviço das pessoas passou a determinar o ritmo de vida delas: “a gente acha que manda na tecnologia, mas ela tem mandado na nossa vida […] Aquela tecnologia que visava nos dar tempo processa rápido as informações e nos devolve demanda. Hoje em dia estamos escravos de demandas”.
Outro efeito apontado por Ikari foi o da chamada cultura assíncrona: a lógica de “eu mando uma mensagem quando quero, você responde quando quer”, que, em sua avaliação, reduz a conexão humana e amplia o afastamento entre as pessoas. O palestrante ilustrou o fenômeno com o exemplo do WhatsApp, aplicativo em que o Brasil figura como o segundo país que mais utiliza a ferramenta, e apresentou um dado alarmante: em 14 anos, o vocabulário médio usado nas conversas caiu 28%. Um terceiro dado reforça esse cenário de hiperconectividade: em média, uma pessoa desbloqueia o celular 152 vezes por dia.



O silenciamento dos escritórios contábeis
Ikari estendeu a crítica ao ambiente corporativo, apontando que a falta de conexão migrou da vida pessoal para dentro das empresas. Segundo ele, conversas presenciais e reuniões vêm sendo substituídas por e-mails e mensagens de texto. “Mensagem é conhecida, conversa é desconhecido”, resumiu ao explicar a importância da conexão com o cliente. O palestrante relatou observar esse fenômeno diretamente em visitas a escritórios contábeis: “existe um silenciamento nos escritórios. Eu visito escritórios e é aquele silêncio, todos focados somente em tarefa, tarefa, tarefa”.
Para o palestrante, esse enfraquecimento da comunicação tem um custo direto para os negócios: “a gente deixou de enxergar a comunicação como porta de entrada de receita”. O palestrante fez uma distinção que se tornou um dos pontos altos da apresentação: “responder é diferente de conversar. Na resposta, eu resolvo o que o cliente pediu. Na conversa, eu descubro o que o cliente precisa”.
A palestra deu início à programação do segundo e último dia do 14º ENESCAP, que segue com painéis sobre excelência operacional, gestão de pessoas e reforma tributária ao longo do dia.



