Atual presidente do SESCAP/SE aborda os desafios da classe contábil e o futuro da entidade
O SESCAP/SE celebra seus 35 anos com a série especial “8 capítulos. Muitas histórias”, que conta a trajetória do sindicato por meio de entrevistas com os presidentes que marcaram sua história. Em cada episódio, os convidados revisitaram seus caminhos profissionais, os desafios de cada época e o legado de suas gestões.
O oitavo e último capítulo é com Francinaldo Rodrigues, atual presidente do SESCAP/SE, na gestão 2023-2028.
O exemplo que vinha de casa
Tudo começou com o pai. “Eu cresci vendo ele fazer imposto de renda, falando sobre empresa e negócios”, lembra Francinaldo. Além da contabilidade, o empreendedorismo também brilhava seus olhos, e ele decidiu unir os dois mundos. “Eu parti para a área empresarial e juntei as duas coisas que eu mais gostava: a contabilidade, que eu vi meu pai atuando lá atrás, e a parte de empresas”.
Hoje, com cerca de 26 anos de experiência como empresário contábil, ele reconhece o que a profissão representa. “Tudo que eu conquistei foi graças à contabilidade e aos negócios que derivaram dela”.
A chegada ao sindicato
A aproximação com o SESCAP/SE aconteceu de um jeito inesperado. “Um dia eu tive um problema na Junta Comercial, e eu era associado da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (ACESE). O presidente na época, Marco Pinheiro, falou que não tinha como resolver aquele problema pela associação, mas que tinha um sindicato que me representava e que poderia resolver facilmente”, conta.
Na época, a presidente era Gleide Selma, na gestão 2017-2022. Francinaldo resolveu a questão rapidamente e se associou. “Eu comecei a perceber a importância que o sindicato fazia dentro da minha jornada. Tinha muitas ações que me favoreciam como empresário contábil e eu nem imaginava”, diz. Entre as iniciativas que mais o atraíram, ele cita as parcerias com a Secretaria de Fazenda, a prefeitura e outros órgãos públicos. Na reeleição de Gleide, Francinaldo integrou a gestão como diretor de tecnologia. Na gestão seguinte, em 2023, assumiu a presidência.
Desafios e iniciativas
Os maiores desafios, segundo ele, são conquistar novos associados e engajar os que já fazem parte, manter a estrutura e lidar com recursos financeiros limitados. Para superá-los, a gestão apostou em visitas ativas para conquistar novos associados, em eventos, cursos e treinamentos que também dão visibilidade ao sindicato e ajudam a atrair recursos e novas pessoas, e na certificação digital.
Os resultados aparecem. “Nós conseguimos dobrar a base de associados nos últimos anos, e a meta é dobrar novamente, baseado no que está hoje. É uma meta ambiciosa, mas eu acredito que vai dar certo”, afirma.
O resgate de um grande evento
Uma das marcas da gestão foi a retomada dos eventos. “Quando eu assumi o SESCAP/SE, uma das minhas iniciativas foi olhar o arquivo de fotos dos eventos para saber o que era feito na época que a gente podia resgatar. E lá tinha um evento chamado COESCAP (Convenção Estadual das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de Sergipe), que era um congresso estadual que estava há 20 anos sem ser realizado. Nós assumimos como um desafio e retomamos o evento em janeiro de 2024”.
A experiência foi um sucesso e serviu de validação. “Foi o primeiro teste e deu muito certo, nós conseguimos um público bem interessante”, diz. Em 2025, o sindicato fez uma segunda COESCAP, no mesmo modelo, mas com uma estrutura um pouco diferente. O objetivo, segundo ele, era “saber o que dava certo ou não”, já prevendo um evento maior.
Esse evento maior era a CONESCAP (Convenção Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas), realizada a cada dois anos pela Fenacon em parceria com um sindicato local. Na disputa pela sede, porém, a escolhida para a próxima edição em 2027 foi João Pessoa.
ENESCAP: o encontro que voltou a Sergipe
A decisão trouxe uma oportunidade. Como a CONESCAP ficou definida para João Pessoa, o ENESCAP, o Encontro das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas da Região Nordeste, que também seria realizado lá, passou para Sergipe. “João Pessoa, que estava definida como sede para realizar o ENESCAP, entrou em consenso conosco para trazer o ENESCAP para Sergipe, porque já tínhamos validado dois eventos que cresciam a cada ano”, explica. Assim, o SESCAP/SE foi se superando na realização de eventos até chegar ao ENESCAP.
A 14ª edição foi promovida pelo SESCAP/SE em Aracaju, em setembro deste ano, com o tema “Liderança, Estratégia e Impacto”. Foram dois dias de programação, reunindo empresários, profissionais da contabilidade e lideranças de entidades de todo o Brasil. O encontro marcou a volta do evento a Sergipe, 14 anos após sua última edição no estado, em 2012.
Francinaldo destaca o cuidado com o conteúdo. “Uma questão em que somos bastante criteriosos é o conteúdo das palestras: se realmente tem conteúdo e se é validado no mercado. Nós fazemos muita questão de que seja algo prático para o participante implementar na sua empresa.” E conta, orgulhoso: “O ENESCAP desse ano foi de bastante sucesso, nós esgotamos todas as inscrições”.
A reforma tributária e a capacidade de adaptação
Sobre o cenário contábil atual, Francinaldo afirma que os profissionais estão preocupados com a reforma tributária, mas acredita que eles vão se adaptar. “A reforma tributária é muito importante, mas, como eu já estou nessa estrada há muitos anos, eu sei que nós, contadores, já passamos pelo eSocial, nota eletrônica, SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), sobrevivemos a várias moedas. Então o contador se adapta a qualquer cenário”.
Olhar para dentro do escritório
Para ele, o ponto que mais carece atenção é a gestão. “Eu acho que nós temos que olhar mais para dentro do escritório, nós somos pouco gestores. O nosso foco no SESCAP/SE tem sido trabalhar a gestão da empresa em si, não só dos escritórios de contabilidade, porque nós representamos 68 atividades diferentes”. Entre os temas citados que pedem atenção estão como contratar bem, manter caixa, gerar mais receita, fixar preço de venda e se proteger com contratos melhores.
Outro assunto que ele destaca é a sucessão patrimonial. “Tem muitos escritórios que não têm sucessores e vão acabar fechando se não pararem para olhar essa questão”.
Com base na experiência, ele reforça uma lição: “Uma empresa se movimenta independentemente do cenário econômico. A menos que uma lei mude e a proíba ou elimine algo a fazer, dá para ela se reinventar e continuar crescendo”. E completa, destacando a importância do planejamento a longo prazo: “Planejar um pouco mais à frente, ver para onde quer ir e, aí sim, gerar novas formas de negócios e renda”.
35 anos de história para contar
Sobre a série “8 capítulos. Muitas histórias”, Francinaldo explica o propósito. “Essa série vem com o objetivo de fazer um resgate histórico, porque muitos não conhecem a trajetória do SESCAP/SE e, felizmente, todos os presidentes estão aqui para contar essa história”. Também é uma forma de homenagem: “Homenageia todos que passaram por aqui.” E serve de aprendizado para as próximas gestões. “Eu gosto muito da história que me traz um panorama daquilo que foi feito e deu certo e daquilo que não deu certo, para que eu tente de outra forma e obtenha outro resultado.”
Para ele, a história ajuda os associados a entender o tamanho da entidade. “Nada melhor que todos os associados ouvirem esse panorama histórico de 35 anos para entender a importância que o sindicato tem, o quanto ele já fez pela classe, o quanto ele faz pelo empresariado como um todo e o quanto ainda fará”.
Lado a lado com a Fenacon
A Fenacon e o SESCAP/SE completam 35 anos em 2026: a Fenacon em abril e o sindicato em outubro, o que mostra duas entidades que caminham e evoluem juntas. “Estamos caminhando lado a lado com uma instituição nacional séria, que desenvolve um trabalho essencial para o Brasil, e nós, aqui dentro do nosso estado, tentamos trabalhar também de forma essencial”, afirma Francinaldo.
Um conselho que reúne a história
Hoje, o sindicato conta com o Conselho Consultivo, formado pelo presidente atual e pelos ex-presidentes. O grupo se reúne periodicamente para aconselhar e auxiliar a gestão a partir de experiências anteriores. “Nossa última reunião foi em agosto deste ano, justamente para fazer um aconselhamento para o ENESCAP”, conta. E completa: “Essa relação de amizade existe. Além de bons profissionais e bons presidentes, são boas pessoas”.
Próximos passos da gestão
Entre as prioridades está o acompanhamento da legislação. “Vamos focar no acompanhamento parlamentar, ainda mais agora que foi renovado o governo, foram eleitos novos deputados e senadores. Então queremos sugerir mudanças. A construção do nosso objetivo de ser aconselhador do estado vai começar agora.”
Ele também quer promover boas relações empregatícias. “Queremos que o empregado tenha boas condições de trabalho, mas também queremos que o empregador tenha boas condições de negociação com o cliente”. E reforça o valor do profissional contábil para as empresas: “Contador não é um custo, e sim um investimento”.
Uma mensagem para o futuro
Ao encerrar, Francinaldo mostrou seu entusiasmo com o que vem pela frente. “Daqui a 35 anos, que nós façamos os 70 anos do SESCAP/SE com outra edição dessa série, e eu espero poder contar a minha história lá na frente também”.
Assista à série completa:
Nos canais do sindicato, Youtube e Instagram, você pode rever todos os episódios e acompanhar as próximas novidades.




