O encontro debateu como preparar líderes e evitar conflitos na transição do comando das empresas
O presidente do SESCAP/SE, Francinaldo Rodrigues, participou da Reunião Almoço do Fórum Empresarial de Sergipe, que teve como tema “Empresa familiar não termina com o fundador: como preparar a sucessão e evitar conflitos familiares e empresariais”. O encontro, realizado nesta terça-feira (29) em Aracaju (SE), contou com a palestra de Luan Maynard, advogado familiarista e mestre em Psicologia, que conduziu uma reflexão sobre um dos maiores desafios enfrentados por empresas de gestão familiar: a transição de poder entre gerações.



Logo no início, Maynard provocou os presentes com a pergunta “quem tem a coragem para fazer um testamento?”, abrindo espaço para discutir a resistência natural das famílias em tratar do tema sucessório. O palestrante apresentou padrões que se repetem nas empresas familiares, como a centralização das decisões no fundador, a baixa autonomia dos sucessores, conflitos que se transformam em ofensas pessoais, o adiamento do assunto até que ele apareça em meio a uma crise, e a mistura de papéis entre família, sociedade e gestão.
Segundo o especialista, esses padrões se repetem porque famílias e fundadores buscam alívio imediato e evitam o desconforto de lidar com a sucessão, permanecendo na zona de conforto. Ele destacou que “não é tirar o sucessor da empresa, é construir uma liderança”, reforçando que o fundador teme perder o poder, enquanto o sucessor teme parecer desleal ao assumir mais protagonismo.
Para ajudar as empresas a identificar em que ponto estão desse processo, Maynard propôs perguntas-chave: quem toma as decisões em caso de afastamento do fundador; se os líderes indicados têm autoridade real ou apenas ocupam um cargo; onde terminam os papéis da família e começam os da empresa; e o que precisa estar formalizado, como governança, acordos societários e planejamento patrimonial, antes que a crise se instale. Ao final da palestra, os participantes puderam fazer considerações e tirar dúvidas com o palestrante.
Francinaldo Rodrigues parabenizou a realização do evento e ressaltou a necessidade da discussão proposta. “É um tema que estamos muito atentos. Já faz alguns anos que eu reforço a importância de treinar o seu sucessor para que a empresa, que é um organismo vivo, continue vivendo após o seu afastamento e mantenha o legado”, analisou.



