Presidente de 2017 a 2022 relembra os desafios de liderar o SESCAP/SE na reforma trabalhista
O SESCAP/SE celebra seus 35 anos com a série especial “8 capítulos. Muitas histórias”, que conta a trajetória do sindicato por meio de entrevistas com os presidentes que marcaram sua história. Em cada episódio, os convidados revisitam seus caminhos profissionais, os desafios de cada época e o legado de suas gestões.
O sexto capítulo é com Gleide Selma Santos, presidente do SESCAP/SE na gestão 2017-2022 e a segunda mulher a ocupar o cargo.
Uma trajetória de participação ativa
A história de Gleide com o sindicato começou em 2000. No ano seguinte, ela passou a integrar a diretoria como diretora suplente, na gestão de Wladimir Torres. Nas duas gestões seguintes, presididas por José Cicinato Mello, foi vice-presidente. Depois, na gestão de Jádson Ricarte, seguiu participando, mas fora da vice-presidência. Com Susana Nascimento, voltou ao cargo de vice-presidente e, na sequência, assumiu a presidência.
“Eu sempre fui muito atuante dentro do sindicato”, resume. Justamente por isso, ela conta que não sentiu grande diferença de atuação ao chegar à presidência, mas a responsabilidade aumentou. “Não mudou muito depois que eu entrei para a presidência, mas é claro que a responsabilidade é muito maior. Enquanto presidente, toda a responsabilidade passa a ser sua, principalmente a questão da representatividade, que é o que toma mais tempo do presidente”.
Os desafios: mais associados e sobrevivência financeira
Entre os desafios da gestão, Gleide cita a dificuldade de conquistar associados. “O Nordeste não tem a cultura do associativismo, infelizmente”, afirma. Para Gleide, os benefícios vão do conhecimento à valorização profissional. “O associativismo é importante para qualquer profissão. Juntos nós somos mais fortes”, reforça. Segundo ela, é possível conquistar mais e realizar mais objetivos quando há a participação de todos.
Outro desafio foi o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, que ocorreu com a reforma trabalhista de 2017. “Na época, nós vivíamos quase exclusivamente da contribuição sindical”, lembra. Além dessa receita, o sindicato contava também com uma pequena comissão das vendas de certificados digitais.
Para se reinventar, o sindicato precisou mudar o modelo de atuação na área de certificação digital. O SESCAP/SE era um posto de certificação do SESCAP/CE, ou seja, vendia certificados e recebia uma comissão pelas vendas. “Nós recebíamos uma comissão pequena, porque éramos apenas um posto de vendas. Os funcionários e os equipamentos eram todos do SESCAP/CE. Então nós precisamos virar uma chave para começar a ganhar dinheiro. Deixamos de ser um posto e passamos a ser uma AR (autoridade de registro)”, explica.
A mudança exigiu contratar equipe e comprar equipamentos, e foi, segundo ela, um esforço ainda maior do que enfrentar a pandemia de covid-19, que aconteceu durante sua gestão. “Na pandemia, nós já estávamos com a estrutura pronta, só mudou a forma de trabalho. Mas para nos tornarmos uma AR foi realmente um esforço maior”.
A contabilidade como atividade essencial
Gleide destaca que a pandemia foi também um momento de afirmação da profissão. Com a restrição de atividades, apenas as consideradas essenciais podiam continuar funcionando, e o restante deveria ser feito de forma remota. A contabilidade não era reconhecida como essencial, e nem todos os escritórios tinham estrutura para trabalhar à distância. “O contador tinha que trabalhar para que as empresas pagassem os impostos e contribuíssem com o governo”, lembra.
“Através do sindicato, nós conseguimos fazer com que o governo reconhecesse a profissão contábil como essencial”, afirma. Com isso, os contadores puderam continuar com seu trabalho, tão importante para a sociedade funcionar.
Uma profissão que evoluiu
Ao olhar para o mercado contábil, Gleide aponta mudanças positivas. Uma delas é a tecnologia. “A contabilidade já vem evoluindo bastante. Quando eu iniciei na profissão, ainda eram usadas as fichas de razão (registros em papel que agrupam e detalham as movimentações financeiras de cada conta contábil). Hoje nós trabalhamos com tecnologia, então é um avanço muito grande”.
Outra mudança positiva é a valorização do profissional. “A valorização da profissão hoje está bem melhor do que era. Antes era uma profissão um pouco marginalizada, ninguém valorizava o contador como está sendo valorizado hoje. Ainda está abaixo do que deveria ser, porque é uma profissão que precisa ser valorizada, mas já está bem melhor. O próprio contador aprendeu a se valorizar”.
Ser mulher na contabilidade
Segunda mulher a presidir o sindicato, Gleide relembra um cenário que mudou. “A contabilidade sempre foi uma profissão muito masculina. Eu lembro que quando eu comecei a participar de congressos, eu via um monte de homens com pastinha na mão, e dava para contar quantas mulheres participavam desses eventos.” Hoje, a realidade é outra: “É possível ver até mais mulheres do que homens nos congressos de contabilidade”.
Do SESCAP/SE à Fenacon
Em abril de 2022, Gleide deixou a presidência do SESCAP/SE para assumir, em julho, a vice-presidência da Fenacon na região Nordeste, cargo que ocupou até 2026. Seu vice-presidente no sindicato, João Izaías Oliveira, concluiu a gestão de abril a dezembro de 2022.
Ela confessa que não imaginava alcançar a representatividade em âmbito nacional, mas diz que a experiência fez diferença em sua carreira. “Foi um período muito importante e de grande aprendizado. Conduzir 9 presidentes da região Nordeste, de estados tão diferentes, me ensinou muito”.
Amizade e respeito entre presidentes
Sobre a relação com os demais presidentes, Gleide ressalta que “existe uma amizade muito grande entre todos nós. Cada presidente que passa pelo sindicato deixa sua marca, tem uma história, mas está sempre à disposição para auxiliar os presidentes seguintes”.
Ela também reforça o respeito pela liberdade de quem está à frente. “Nós procuramos não interferir. Quem está à frente tem toda a liberdade de administrar o sindicato da maneira que acha que deve ser, mas, na hora que precisar do nosso apoio, estamos à disposição para auxiliar”.
Uma história para levar para a vida
Ao encerrar, Gleide resumiu a importância do sindicato. “O SESCAP/SE participou de uma fase da minha vida que eu tenho muito orgulho, é algo que eu vou levar comigo para o resto da vida, faz parte da minha história”.
E reforçou que o SESCAP/SE não é apenas para contadores. “O sindicato não trabalha apenas em prol da classe contábil, ele trabalha em prol da classe empresarial como um todo. Então, eu acho que todos os empresários de contabilidade deveriam ser associados ao sindicato, porque estariam todos juntos em prol de uma causa comum, e o benefício seria para todos”.
Ela segue ativa no sindicato. “Eu sou muito envolvida no SESCAP/SE”, diz, e completa: “Eu defendo muito a classe contábil, defendo muito a Fenacon e o SESCAP/SE, porque eu tenho que valorizar aquilo que eu vivo no meu dia a dia”.
Assista à entrevista completa:
Acompanhe a série “8 capítulos. Muitas histórias” e conheça as trajetórias dos presidentes que construíram o SESCAP/SE ao longo desses 35 anos. Nos canais do sindicato, Youtube e Instagram, você acompanha cada novo episódio.




